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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Post especial: "lá havia estoque de doçura"

Olá, pessoal!
Em comemoração ao Dia das Crianças, 
o post de hoje é uma homenagem a um adulto que valorizava e amava a infância: 
ANTOINE SAINT-EXUPÉRY

Antes de se tornar o autor do livro O Pequeno Príncipe, entre outras obras,  Exupéry foi um garotinho de cabelos dourados, chamado carinhosamente pela família de Rei Sol e Tonio.

Seus pais (Jean e Marie) tiveram cinco filhos: três meninas e dois meninos. As crianças, descendentes de uma família importante, eram filhos de um conde e netos de um barão. 

Por volta dos 4 anos de idade, o garotinho Tonio precisou conviver com a ausência paterna (Jean, seu pai, teve um derrame cerebral e faleceu). Em compensação, a família tornou-se ainda mais unida. Ele e os irmãos tiveram uma mãe muito carinhosa e compreensiva, que lhes contava histórias, tocava piano e distribuía beijos de boa noite.

A família morou por um período no castelo Saint-Maurice-de-Rémens, interior da França. Um lugar com um imenso gramado e canteiros de gerânios e lilases. Um pouco mais adiante podia-se ver um pomar e um bosque de pinheiros. Apesar dos grandes muros de pedras era possível ver além das terras do castelo: pastos, plantações de videira, florestas e montanhasOs sons de pássaros, rãs e ao longe um rio agitado completavam a paisagem.

Segundo Exupéry: 
"lá havia estoque de doçura"

A natureza fazia parte das brincadeiras das crianças do castelo. Ora passeando com uma tartaruga, ora correndo pelo jardim junto de lagartos e esquilos ou observando pacientemente e silenciosamente pássaros nos galhos das árvores. Todo cuidado era pouco para não pisar em nenhum animalzinho pelo caminho. As noites estreladas eram convidativas para subir no telhado do castelo.



O garotinho de inúmeros talentos (entre eles: atuar, escrever poemas, desenhar e tocar violino) tinha muito interesse em trens, motores, aviões e invenções caseiras.

Era inteligente, tímido e distraído, o que lhe rendeu o apelido de "Pique lá Lune", dos camaradas da escola (referência ao seu nariz arrebitado, que constantemente estava apontado para ao céu). 

A bicicleta de Tonio fez parte de inúmeras brincadeiras e passeios, como na vida de qualquer outra criança, porém ela começava a testemunhar o futuro do  poeta-aviador sendo desenhado aos poucos.

Foi com sua amiga de duas rodas que ele protagonizou sua primeira tentativa de voo usando um lençol amarrado no guidão da bicicleta. Como a experiência não teve sucesso, ele a usava para visitar um hangar próximo ao castelo.

A curiosidade pelas inúmeras engenhocas da época e a habilidade em convencer os outros fez com que o garotinho de cabelos dourados fizesse seu primeiro voo dentro de um  avião de verdade, aos doze anos de idade. Que dia mais feliz! Dele nasceu até um poema:

"Les ailes frémissaient sous le souffle du soir./ Le moteur de son chant berçait l'âme endormie / Le soleil nous frôlait de sa couleur pâile."

"As asas tremiam sob o sopro da noite/ O motor, com seu canto, acalentava a alma adormecida,/ O sol nos tocava com sua cor esmaecida."
(Tradução de Mônica Cristina Corrêa -  posfácio do livro O Pequeno Príncipe, Companhia das Letras)



Poucos anos depois, Tonio sentia novamente a marca da ausência, agora de seu único irmão, que faleceu aos 15 anos de idade. Os meses se passaram um pouco mais tristes, porém o garotinho cresceu e tornou-se um homem. Um rapaz de estatura alta, ombros fortes, olhos grandes. Rosto com leves traços infantis e o famoso nariz empinado. Um homem tímido, corajoso e brincalhão. Um poeta, escritor, ilustrador, inventor, aviador, filósofo, matemático, mecânico de aviões. Apesar de fazer parte do mundo dos adultos, Exupéry continuava gostando de contos de fadas, fazendo mágicas com cartas de baralho, cantando e desenhando.

"Não sei o que me deu: desenho o dia inteiro e assim as horas me parecessem breves. Descobri para que eu fui feito: o lápis Conté acaba com o carvão." 

Sem dúvidas, o pequeno Rei Sol transformou-se num homem à frente de seu tempo, cujo legado merece e deve ser preservado. Inclusive, há uma associação que vem trabalhando para isso: 

 "Associação para salvar e promover a casa da infância de Antoine Saint-Exupéry" 
(Clique aqui para conhecer o projeto)

Castelo Saint-Maurice-de-Rémens

Que O Pequeno Príncipe continue despertando a criança que vive dentro de todo adulto!

FELIZ DIA DA NOSSA ETERNA CRIANÇA!


Fontes utilizadas: 
O Pequeno Príncipe, editora Companhia das Letras
       Associação Memória Aéropostale no Brasil
Zé Perri - A passagem do Pequeno Príncipe pelo Brasil
A vida secreta de Antoine Saint-Exupéry
Rascunhos de uma vida
Minibook O Pequeno Príncipe




Beijão, até a próxima!










4 comentários:

  1. Desde meu primeiro contato com o livro do Pequeno Príncipe, fiquei encantada com as profundas lições de vida, em metáforas tão simples de ser entendidas, tão apaixonantes e significativas... nunca mais deixei de usá-las, faz parte de minha vida, e de tantas que conheço.

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    1. Ah, que linda!!! Certamente você tem bastante sensibilidade para ter captado as mensagens do livro logo no primeiro contato. Fiquei muito feliz com sua visita e muito mais com seu comentário (adoro saber como foi a experiência das pessoas com o livro). bjs

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  2. Waaaaa q lindinho q ele era :3
    Não sabia que ele tinha sido tão rico a ponto de morar em um castelo xD
    Diariodelolivlet.blogspot.com.br

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    1. Lolivlet a família dele herdou a propriedade, mas quando o pai morreu as coisas não ficaram tão boas assim, financeiramente falando.Na vida adulta ele passou por algumas dificuldades nessa área também. Mas sem dúvidas, morar num castelo dá um charme a mais na história! *-* bjs

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